quarta-feira, 4 de abril de 2012

Capitulo V

COLOQUE PARA OUVIR ENQUANTO LE:

- Andrew, arrume seu quarto meu filho. - Anabely gritava do andar de baixo.
Andrew com as cortinas do quarto do segundo andar fechadas, a casa grande e antiga do centro da cidade, dava a impressão de ser depressiva.
Andrew estava sentado na cama de casal, apoiado com os cotovelos nos joelhos, as mãos levadas a cabeça.
Ele encarava o chão.
- Andrew, está me ouvindo? - gritou Anabely novamente.
Ele continuou sem responder.
Um tremor repentino passou por todo seu corpo.
Ele se levantou, pegou um comprimido branco e pequeno que estava em cima do criado mudo ao lado da cama.
Amassou-o e depois o cheirou.
Outro tremor repentino.
Foi até o espelho e viu os olhos azuis assustados, os cabelos pretos bagunçados.
Piscou algumas vezes.
Voltou até a cama e se sentou novamente.
Tossiu seco.
- Andrew, filho? - Anabely gritou novamente.
Ele levantou-se novamente da cama e agaixou-se ao lado dela erguendo a colcha azul marinho.
Pegou um revolver que havia roubado a pouco tempo, foi até a gaveta do criado mudo e carregou o revolver.
Sem dizer uma palavra, ou fazer um único barulho, Andrew desceu até o andar de baixo.

(pode parar a musica)



Sophia de afastou dele assustada.
- O que te deu? - perguntou ela abobada.
Não sabia se havia gostado, ou se havia assustado ou se havia odiado... A última opção era a menos improvável.
- Desculpe. Eu não sei... - ele abaixou a cabeça e ficou encarando as mãos que estavam entrelaçadas em cima de seu colo.
- Tudo bem... - disse ela sorrindo.
Nesse mesmo momento, a mente de Sophia descartou as duas ultimas possibilidades, e pode afirmar com toda a certeza de que a primeira possibilidade estava certa: Ela realmente gostara.
- Você sabe meu nome, mas eu ainda não sei o seu. - disse ela, os olhos azuis brilhando em meio a pouca luz.
- Andrew. - ele ainda estava cabisbaixo.
- Ei, olha pra mim. - ela pegou o queixo dele e ergueu suavemente.
Ele não aguentou, e soltou seu sorriso mais bobo e apaixonado.
Nesse mesmo momento ouviram um grito agudo e próximo, era de uma menina.
Todas as coisas que haviam acontecido no orfanato nos últimos dias, passaram pela cabeça de Sophia.
Ela estremeceu.
Outro grito.
- O que é isso? - ela foi mais perto de Andrew e ele a abraçou.
Ele colocou o dedo indicador na boca perfeita.
- Shii...


sexta-feira, 23 de março de 2012

Capitulo IV



Andrew estava balançando em um balanço do parque atrás do orfanato.
Ele estava sozinho, somente o barulho do vento o fazia companhia.
- Ela vai se arrepender. - disse ele sussurrando.
Ele continuou balançando, sussurros de pessoas invisíveis lhe invadiam a mente.
- SAIAM DA MINHA CABEÇA! - gritou ele enfurecido. - Saiam... - sussurrou.
Ele segurou os cabelos negros com as duas mãos, parou de balançar e apoiou-se nos joelhos.
- Saiam... - disse ele novamente.
Alguns garotos mais velhos do orfanato saíram da porta dos fundos.
Eram 3. Um loiro, um moreno e um ruivo.
Todos da mesma altura.
Trigêmeos, mas não idênticos. No cabelo do ruivo e do loiro podia-se ver as raízes castanhas, eram tingidos.
- O que está fazendo ai, em psicopata? - disse o ruivo.
- Psicopata é tua mãe, a é, esqueci, você não tem uma. - disse Andrew e depois deu uma risada sinistra.
O vento aumentou, chacoalhando as arvores atrás do parquinho.
- E você tem? - perguntou o loiro.
- Tinha, não tenho mais porque matei ela. Que tal? - disse Andrew de cabeça baixa, e depois somente ergueu os olhos azuis para eles.
- Cara doido. - disse o moreno.
- Pior que você ninguém é. - disse Andrew ainda olhando com aquele olhar sinistro para os garotos.
- Você matou sua mãe, cara? - perguntou o ruivo assustado.
- Sim, quer morrer também? - perguntou Andrew.
- Vamos embora. - disse o moreno.
- Não vão agora não, fiquem mais um pouco. - disse Andrew saindo do balanço.
Ele tirou uma arma do bolso e apontou para a cabeça do moreno, que estava no meio.
- Você é o primeiro. - disse Andrew.


- Não tiro a menina que se matou da cabeça... - disse Sophia.
- Esquece isso, ela se matou porque quis... - disse Carl.
- Mesmo assim, eu não me sinto bem pensando que alguém se matou no orfanato... - disse ela.
- Ai Sophia, para de ser tonta. Eu já disse que fantasmas não existem. - disse Dani e depois deu uma mordida no bolinho de chocolate que estava comendo.
- Isso é o que você pensa. - disse Carl.
- Ok, chega, não quero mais falar disso. - disse Sophia estremecendo.
Ouviu-se um grito no corredor que ligava o pátio com os quartos e a escada do segundo andar.
Um grito agudo. Logo após ouviram-se passos de alguém correndo.
O grito continuava, com algumas pausas para tomar folego.
Todo o pátio se calou e ficou encarando a porta do corredor.
As luzes começaram a piscar.
Logo a porta do corredor se abriu apressadamente e uma menina que parecia ter uns 14 anos entrou gritando.
- Ele está atrás de mim! - gritou ela e em seguida desmaiou.
Sophia ficou paralisada.
O patio todo entrou em panico.
Quem estaria atrás da garota?
O que estava acontecendo?
- Sophia, vamos. - disse a voz que ela queria ouvir desde a madrugada passada.
Ele estava atrás dela, com a mão em seu ombro.
Ela virou-se e encarou os olhos azuis cristalinos dele.
Ele lhe estendeu a mão e os dois saíram juntos para o lado de fora do patio.
La dentro, as pessoas continuavam em panico, correndo de um lado para o outro, e a luz ainda piscava.
O céu estava nublado e fazia frio.
- Como você veio parar aqui? - perguntou ela a ele.
- Vem, quero te mostrar um lugar. - disse ele e pegou na mão dela.
O mesmo formigamento que ocorrera antes, aconteceu.
Eles deram a volta até a parte de trás do orfanato e passaram pelo parque, onde o balanço balançava sozinho.
Eles entraram na trilha do pequeno bosque que havia ali. Logo chegaram em uma casa da árvore.
- Pode subir primeiro. - disse ele apontando para a escada que levava até a casa da árvore.
Ela subiu, quieta e pensando no que estava acontecendo.
Chegando lá, ela se sentou. A luz era pouca e não havia nada ali dentro.
- Pronto. - disse ela.
Ele já estava sentado na frente de Sophia.
- Como você veio parar aqui? - perguntou ela novamente.
- Não importa.  - disse ele sorrindo.
Ela ergueu uma sobrancelha.
- E se importar? - perguntou.
- Mas não importa. - disse ele e olhou para ela sem expressão alguma agora.
- E como você sabe meu nome? - perguntou ela.
- Eu revirei os arquivos do orfanato e descobri... - disse ele.
- E o que está acontecendo lá no orfanato? - perguntou ela.
- Isso eu já não sei. - respondeu ele ainda sem expressão nenhuma.
Ela encarou ele.
Então Sophia percebeu que a unica coisa que havia ali dentro era um balde, com água.
- Para que isso? - perguntou ela apontando para o balde.
- Você faz perguntas de mais.
Ele ajoelhou e se aproximou cada vez mais dela.
Logo, seus lábios estavam juntos, agindo em sintonia.