Andrew estava balançando em um balanço do parque atrás do orfanato.
Ele estava sozinho, somente o barulho do vento o fazia companhia.
- Ela vai se arrepender. - disse ele sussurrando.
Ele continuou balançando, sussurros de pessoas invisíveis lhe invadiam a mente.
- SAIAM DA MINHA CABEÇA! - gritou ele enfurecido. - Saiam... - sussurrou.
Ele segurou os cabelos negros com as duas mãos, parou de balançar e apoiou-se nos joelhos.
- Saiam... - disse ele novamente.
Alguns garotos mais velhos do orfanato saíram da porta dos fundos.
Eram 3. Um loiro, um moreno e um ruivo.
Todos da mesma altura.
Trigêmeos, mas não idênticos. No cabelo do ruivo e do loiro podia-se ver as raízes castanhas, eram tingidos.
- O que está fazendo ai, em psicopata? - disse o ruivo.
- Psicopata é tua mãe, a é, esqueci, você não tem uma. - disse Andrew e depois deu uma risada sinistra.
O vento aumentou, chacoalhando as arvores atrás do parquinho.
- E você tem? - perguntou o loiro.
- Tinha, não tenho mais porque matei ela. Que tal? - disse Andrew de cabeça baixa, e depois somente ergueu os olhos azuis para eles.
- Cara doido. - disse o moreno.
- Pior que você ninguém é. - disse Andrew ainda olhando com aquele olhar sinistro para os garotos.
- Você matou sua mãe, cara? - perguntou o ruivo assustado.
- Sim, quer morrer também? - perguntou Andrew.
- Vamos embora. - disse o moreno.
- Não vão agora não, fiquem mais um pouco. - disse Andrew saindo do balanço.
Ele tirou uma arma do bolso e apontou para a cabeça do moreno, que estava no meio.
- Você é o primeiro. - disse Andrew.
- Não tiro a menina que se matou da cabeça... - disse Sophia.
- Esquece isso, ela se matou porque quis... - disse Carl.
- Mesmo assim, eu não me sinto bem pensando que alguém se matou no orfanato... - disse ela.
- Ai Sophia, para de ser tonta. Eu já disse que fantasmas não existem. - disse Dani e depois deu uma mordida no bolinho de chocolate que estava comendo.
- Isso é o que você pensa. - disse Carl.
- Ok, chega, não quero mais falar disso. - disse Sophia estremecendo.
Ouviu-se um grito no corredor que ligava o pátio com os quartos e a escada do segundo andar.
Um grito agudo. Logo após ouviram-se passos de alguém correndo.
O grito continuava, com algumas pausas para tomar folego.
Todo o pátio se calou e ficou encarando a porta do corredor.
As luzes começaram a piscar.
Logo a porta do corredor se abriu apressadamente e uma menina que parecia ter uns 14 anos entrou gritando.
- Ele está atrás de mim! - gritou ela e em seguida desmaiou.
Sophia ficou paralisada.
O patio todo entrou em panico.
Quem estaria atrás da garota?
O que estava acontecendo?
- Sophia, vamos. - disse a voz que ela queria ouvir desde a madrugada passada.
Ele estava atrás dela, com a mão em seu ombro.
Ela virou-se e encarou os olhos azuis cristalinos dele.
Ele lhe estendeu a mão e os dois saíram juntos para o lado de fora do patio.
La dentro, as pessoas continuavam em panico, correndo de um lado para o outro, e a luz ainda piscava.
O céu estava nublado e fazia frio.
- Como você veio parar aqui? - perguntou ela a ele.
- Vem, quero te mostrar um lugar. - disse ele e pegou na mão dela.
O mesmo formigamento que ocorrera antes, aconteceu.
Eles deram a volta até a parte de trás do orfanato e passaram pelo parque, onde o balanço balançava sozinho.
Eles entraram na trilha do pequeno bosque que havia ali. Logo chegaram em uma casa da árvore.
- Pode subir primeiro. - disse ele apontando para a escada que levava até a casa da árvore.
Ela subiu, quieta e pensando no que estava acontecendo.
Chegando lá, ela se sentou. A luz era pouca e não havia nada ali dentro.
- Pronto. - disse ela.
Ele já estava sentado na frente de Sophia.
- Como você veio parar aqui? - perguntou ela novamente.
- Não importa. - disse ele sorrindo.
Ela ergueu uma sobrancelha.
- E se importar? - perguntou.
- Mas não importa. - disse ele e olhou para ela sem expressão alguma agora.
- E como você sabe meu nome? - perguntou ela.
- Eu revirei os arquivos do orfanato e descobri... - disse ele.
- E o que está acontecendo lá no orfanato? - perguntou ela.
- Isso eu já não sei. - respondeu ele ainda sem expressão nenhuma.
Ela encarou ele.
Então Sophia percebeu que a unica coisa que havia ali dentro era um balde, com água.
- Para que isso? - perguntou ela apontando para o balde.
- Você faz perguntas de mais.
Ele ajoelhou e se aproximou cada vez mais dela.
Logo, seus lábios estavam juntos, agindo em sintonia.


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