sexta-feira, 23 de março de 2012

Capitulo IV



Andrew estava balançando em um balanço do parque atrás do orfanato.
Ele estava sozinho, somente o barulho do vento o fazia companhia.
- Ela vai se arrepender. - disse ele sussurrando.
Ele continuou balançando, sussurros de pessoas invisíveis lhe invadiam a mente.
- SAIAM DA MINHA CABEÇA! - gritou ele enfurecido. - Saiam... - sussurrou.
Ele segurou os cabelos negros com as duas mãos, parou de balançar e apoiou-se nos joelhos.
- Saiam... - disse ele novamente.
Alguns garotos mais velhos do orfanato saíram da porta dos fundos.
Eram 3. Um loiro, um moreno e um ruivo.
Todos da mesma altura.
Trigêmeos, mas não idênticos. No cabelo do ruivo e do loiro podia-se ver as raízes castanhas, eram tingidos.
- O que está fazendo ai, em psicopata? - disse o ruivo.
- Psicopata é tua mãe, a é, esqueci, você não tem uma. - disse Andrew e depois deu uma risada sinistra.
O vento aumentou, chacoalhando as arvores atrás do parquinho.
- E você tem? - perguntou o loiro.
- Tinha, não tenho mais porque matei ela. Que tal? - disse Andrew de cabeça baixa, e depois somente ergueu os olhos azuis para eles.
- Cara doido. - disse o moreno.
- Pior que você ninguém é. - disse Andrew ainda olhando com aquele olhar sinistro para os garotos.
- Você matou sua mãe, cara? - perguntou o ruivo assustado.
- Sim, quer morrer também? - perguntou Andrew.
- Vamos embora. - disse o moreno.
- Não vão agora não, fiquem mais um pouco. - disse Andrew saindo do balanço.
Ele tirou uma arma do bolso e apontou para a cabeça do moreno, que estava no meio.
- Você é o primeiro. - disse Andrew.


- Não tiro a menina que se matou da cabeça... - disse Sophia.
- Esquece isso, ela se matou porque quis... - disse Carl.
- Mesmo assim, eu não me sinto bem pensando que alguém se matou no orfanato... - disse ela.
- Ai Sophia, para de ser tonta. Eu já disse que fantasmas não existem. - disse Dani e depois deu uma mordida no bolinho de chocolate que estava comendo.
- Isso é o que você pensa. - disse Carl.
- Ok, chega, não quero mais falar disso. - disse Sophia estremecendo.
Ouviu-se um grito no corredor que ligava o pátio com os quartos e a escada do segundo andar.
Um grito agudo. Logo após ouviram-se passos de alguém correndo.
O grito continuava, com algumas pausas para tomar folego.
Todo o pátio se calou e ficou encarando a porta do corredor.
As luzes começaram a piscar.
Logo a porta do corredor se abriu apressadamente e uma menina que parecia ter uns 14 anos entrou gritando.
- Ele está atrás de mim! - gritou ela e em seguida desmaiou.
Sophia ficou paralisada.
O patio todo entrou em panico.
Quem estaria atrás da garota?
O que estava acontecendo?
- Sophia, vamos. - disse a voz que ela queria ouvir desde a madrugada passada.
Ele estava atrás dela, com a mão em seu ombro.
Ela virou-se e encarou os olhos azuis cristalinos dele.
Ele lhe estendeu a mão e os dois saíram juntos para o lado de fora do patio.
La dentro, as pessoas continuavam em panico, correndo de um lado para o outro, e a luz ainda piscava.
O céu estava nublado e fazia frio.
- Como você veio parar aqui? - perguntou ela a ele.
- Vem, quero te mostrar um lugar. - disse ele e pegou na mão dela.
O mesmo formigamento que ocorrera antes, aconteceu.
Eles deram a volta até a parte de trás do orfanato e passaram pelo parque, onde o balanço balançava sozinho.
Eles entraram na trilha do pequeno bosque que havia ali. Logo chegaram em uma casa da árvore.
- Pode subir primeiro. - disse ele apontando para a escada que levava até a casa da árvore.
Ela subiu, quieta e pensando no que estava acontecendo.
Chegando lá, ela se sentou. A luz era pouca e não havia nada ali dentro.
- Pronto. - disse ela.
Ele já estava sentado na frente de Sophia.
- Como você veio parar aqui? - perguntou ela novamente.
- Não importa.  - disse ele sorrindo.
Ela ergueu uma sobrancelha.
- E se importar? - perguntou.
- Mas não importa. - disse ele e olhou para ela sem expressão alguma agora.
- E como você sabe meu nome? - perguntou ela.
- Eu revirei os arquivos do orfanato e descobri... - disse ele.
- E o que está acontecendo lá no orfanato? - perguntou ela.
- Isso eu já não sei. - respondeu ele ainda sem expressão nenhuma.
Ela encarou ele.
Então Sophia percebeu que a unica coisa que havia ali dentro era um balde, com água.
- Para que isso? - perguntou ela apontando para o balde.
- Você faz perguntas de mais.
Ele ajoelhou e se aproximou cada vez mais dela.
Logo, seus lábios estavam juntos, agindo em sintonia.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Capitulo III



Uma criança brincava perto do antigo orfanato, eram 4:00 da tarde.
A criança sozinha.
Ela tinha uns 8 anos. Andou até o gramado do orfanato.
Uma freira abriu a porta, pegou a criança no colo e levou-a para dentro.
- Eu me perdi. - disse a criança assim que a freira perguntou o que tinha acontecido com ela.
A freira cuidou da criança, e arranjou um quarto para ela no orfanato, junto com um adolescente.
- Oi. - disse a criança olhando inocentemente para o Adolescente.
- O que foi pirralha? - respondeu ele.
- Nada... - disse a criança sentindo-se magoada.
A noite chegou. A criança sozinha no quarto com o adolescente ainda.
Nenhum falava, só se ouviu a tarde toda, sons de crianças brincando no quintal.
A criança perdida deitou-se na cama, mas não conseguiu dormir.
Algo a incomodava... Algo ruim.
Ela levantou-se e foi até o banheiro. Assim que chegou, lavou o rosto.
Quando ergueu a cabeça havia o que parecia ser um adolescente, todo vestido de preto, com o rosto coberto de preto e uma faca ensanguentada na mão.



- Sophia, acorda, temos que tomar café. - disse Dani chacoalhando Sophia na cama.
- Nossa, calma. - disse ela sonolenta.
Sophia ainda estava com a camisola preta.
Ela se arrumou e as duas desceram para o patio.
Estava uma montureira de gente no patio, crianças, adultos e tudo mais.
De repente dois enfermeiros apareceram carregando uma maca.
Havia uma pessoa deitada ali...
- Dizem que ela se matou. - disse um menino atrás delas.
- O que? Porque? - perguntou Sophia.
- Só dizem, ninguém sabe se é verdade. E ninguém sabe o motivo também. Só sabemos que foi nessa madrugada. - respondeu ele sem olhar para ela, ainda encarando a maca que já sumia pela porta lateral do orfanato.
- Meu Deus... - disse Daniela.
- Mas... Como ela morreu? - perguntou Sophia ao garoto.
- Cortou a garganta. - respondeu ele sem expressão alguma.
Sophia ficou em choque, não conseguia falar mais nada...
- Sophia! - disse uma menininha loira vindo em direção a ela de braços abertos.
Sophia pegou-a no colo.
- Oi Meggie. Como vai? - perguntou ela sorrindo.
- Estou triste... - respondeu a menininha.
- Porque? - perguntou Dani.
- Por causa da menina que se matou...
Todos ficaram quietos... A pureza naquela criança era totalmente linda.
Depois, Meggie voltou para sua turminha e Sophia e Dani foram se sentar. O menino foi junto.
- Como você chama? - perguntou Dani.
- Carl. - respondeu ele.
Sophia sorriu e lembrou-se do menino na madrugada passada...
Lindo, exuberante.
Caminhando pela propriedade do orfanato.
Porque?
Sozinho... Porque?
- Eu tenho medo que aconteçam coisas piores. - disse Sophia e tomou um gole de suco.


Capitulo II

Coloque para ouvir enquanto lê:





Mina desceu as escadas correndo, assustada, chorando.
Ninguém a ouvia, ninguém sabia o que estava acontecendo, ninguém sabia o que estava atrás dela.
Uma sombra.
Apenas uma sombra a seguia.
Ruídos estranhos ecoavam pelo prédio abandonado do antigo orfanato.
Crianças inexistentes gritavam, ruídos nas paredes de madeira.
Mina parou no meio do corredor e caiu sentada, chorando de medo.
- Socorro! -gritou ela, mas a casa parecia abafar sua voz, sem deixar que ninguém a ouvisse.
(pode parar a musica)




Sophia ouviu um barulho estranho na janela, ela ainda estava deitada no tapete ao lado de sua cama, observando as estrelinhas fluorecentes.
Novamente o barulho na janela.
Sophia não se mexeu.
Respirou fundo e depois ficou atenta a qualquer barulho.
Passos no corredor. Aproximando-se cada vez mais da porta.
Sophia olhou no relógio. Eram 3:00 horas da manhã em ponto.
Os passos continuavam.
Sophia estremeceu.
Mas o que ela estava pensando? Fantasmas? Que idiotice...
Ela levantou-se e esperou um pouco parada em frente a porta. O barulho de passos aumentou de volume.
Sophia agarrou a maçaneta da porta branca rapidamente e abriu a porta igualmente rápido.
Ninguém.
Não havia ninguém.
Sophia arregalou os olhos, encarando o corredor escuro.
- O que foi? - era a voz de Daniela, atrás de Sophia, falando ao seu ouvido.
- AH!! - Sophia soltou um gritinho - Quer me matar?
- Calma. - Dani riu - O que está acontecendo?
- Eu não sei...
- Como não? Porque está ai parada em frente a porta com cara de idiota? - perguntou Dani rindo ainda.
- Também não sei.
- Você e suas maluquices. - ela deu outra risada, os cachos dourados balançando, os olhos verdes enchendo de lagrima de tanto segurar a risada.
- Para sua boba. - disse Sophia dando um tapinha de leve no ombro de Dani.
Ela somente fez que sim com a cabeça e voltou para a cama.
- Sabe que horas são? - perguntou Dani fazendo uma cara de terror - São 3:00 da manhã. E sabe o que significa? É a hora que os espíritos saem para assombrar as pessoas que estão acordadas a essa hora.
Daniela disse aquilo sussurrando, deixando um clima de tensão pairando no quarto.
Sophia fechou a porta e virou-se para Dani.
- Não brinca com essas coisas. - disse ela com medo.
Sophia deitou-se na cama e novamente encarou as estrelinhas.
- O que foi? Tem medo? São só lendas, Sophia. - disse Dani.
- Não tenho medo. É que tem o fato de que, toda lenda, pelo menos uma parte dela, é verdade.

domingo, 11 de março de 2012

Capitulo I


Ela abriu os olhos, encarando o teto cheio de estrelinhas fluorecentes coladas.
Ainda estava escuro, a cortina aberta revelava a lua cheia, que iluminava parcialmente o quarto sombrio de Sophia.
Ela estava com uma camisola preta lisa. O cabelo preto e liso, bagunçado. Os olhos azuis cintilando.
Levantou de vagar e foi até a janela, observando o luar.
Sua colega de quarto ainda dormia, o orfanato estava quieto.
Sophia olhou por cima do ombro para ver se ninguém a veria sair.
Depois de verificar, subiu no batente da janela e pulou, aterrissando levemente com os pés descalços na grama macia do jardim lateral.
Andou de vagar até a arvore do outro lado da rua e subiu rapidamente até um dos galhos mais altos.
Olhou para cima e suspirou, era uma visão esplendida.
- Ei! - ela ouviu uma voz grave vinda de baixo da árvore.
Sophia se assustou, encolheu-se o máximo possível.
- O que está fazendo ai? Quer ajuda para descer? - disse o garoto novamente.
- Sim. - respondeu ela, com a voz suave e doce de sempre.
Ela desceu alguns galhos, fingindo quase cair.
Ele pegou a mão dela e um formigamento repentino passou pelos dois.
Ela olhou dentro dos olhos dele.
Azuis, como os dela, cabelos negros como a noite, como os dela.
- Po-pode desce-cer. - gaguejou ele assim que tomou consciência da beleza dela.
Ela desceu, fingindo ainda quase cair.
- Muito obrigada. - agradeceu ela e sorriu gentilmente.
- Porque estava em cima da árvore? - perguntou ele encarando-a.
- Sou sonambula. - mentiu ela.
- Quer que eu te leve até sua casa? - a voz dele soava como um veludo aos ouvidos dela.
- Ah, eu moro ali. - ela apontou para o orfanato.
- An, quer que eu te acompanhe? - perguntou ele.
Era obvio para qualquer um que ele queria passar mais tempo com ela.
- Pode ser... - ela disse e abaixou a cabeça, olhando para os pés descalços.
- Tudo bem.
Eles caminharam de vagar até a porta do orfanato.
- O que está fazendo na rua uma hora dessas? - perguntou ela olhando-o 
- Perdi o sono e sai para caminhar um pouco, eu moro ali na esquina. - ele apontou para a esquina deserta e quase sem iluminação.
Ela simplesmente sorriu.
- Bom, vou entrar, tchau, até mais.
Eles se despediram e ela voltou para seu quarto.
Deitou no tapete ao lado de sua cama e ficou observando as estrelinhas fluorecentes, sem conseguir tira-lo da cabeça...


Prólogo

-Não de mais um passo. - disse ela com a voz tremula de nervoso.
- Eu confio em você. - respondeu ele aos sussurros e dando mais um passo pequeno.
- Mas você não deveria, é errado. Você sabe disso. - disse ela erguendo as mãos involuntariamente.
Uma lágrima desceu por seu rosto angelical quando ela fechou os olhos fortemente.
A aguá do riacho se agitou, ela abriu os olhos, iluminados como a lua, brilhantes como diamantes.
E então, não era mais possível enxergar nada.