domingo, 11 de março de 2012

Capitulo I


Ela abriu os olhos, encarando o teto cheio de estrelinhas fluorecentes coladas.
Ainda estava escuro, a cortina aberta revelava a lua cheia, que iluminava parcialmente o quarto sombrio de Sophia.
Ela estava com uma camisola preta lisa. O cabelo preto e liso, bagunçado. Os olhos azuis cintilando.
Levantou de vagar e foi até a janela, observando o luar.
Sua colega de quarto ainda dormia, o orfanato estava quieto.
Sophia olhou por cima do ombro para ver se ninguém a veria sair.
Depois de verificar, subiu no batente da janela e pulou, aterrissando levemente com os pés descalços na grama macia do jardim lateral.
Andou de vagar até a arvore do outro lado da rua e subiu rapidamente até um dos galhos mais altos.
Olhou para cima e suspirou, era uma visão esplendida.
- Ei! - ela ouviu uma voz grave vinda de baixo da árvore.
Sophia se assustou, encolheu-se o máximo possível.
- O que está fazendo ai? Quer ajuda para descer? - disse o garoto novamente.
- Sim. - respondeu ela, com a voz suave e doce de sempre.
Ela desceu alguns galhos, fingindo quase cair.
Ele pegou a mão dela e um formigamento repentino passou pelos dois.
Ela olhou dentro dos olhos dele.
Azuis, como os dela, cabelos negros como a noite, como os dela.
- Po-pode desce-cer. - gaguejou ele assim que tomou consciência da beleza dela.
Ela desceu, fingindo ainda quase cair.
- Muito obrigada. - agradeceu ela e sorriu gentilmente.
- Porque estava em cima da árvore? - perguntou ele encarando-a.
- Sou sonambula. - mentiu ela.
- Quer que eu te leve até sua casa? - a voz dele soava como um veludo aos ouvidos dela.
- Ah, eu moro ali. - ela apontou para o orfanato.
- An, quer que eu te acompanhe? - perguntou ele.
Era obvio para qualquer um que ele queria passar mais tempo com ela.
- Pode ser... - ela disse e abaixou a cabeça, olhando para os pés descalços.
- Tudo bem.
Eles caminharam de vagar até a porta do orfanato.
- O que está fazendo na rua uma hora dessas? - perguntou ela olhando-o 
- Perdi o sono e sai para caminhar um pouco, eu moro ali na esquina. - ele apontou para a esquina deserta e quase sem iluminação.
Ela simplesmente sorriu.
- Bom, vou entrar, tchau, até mais.
Eles se despediram e ela voltou para seu quarto.
Deitou no tapete ao lado de sua cama e ficou observando as estrelinhas fluorecentes, sem conseguir tira-lo da cabeça...


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